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O lado negro dos contos de fadas que a Disney não contou 1° parte



A todos os caros amigos Rebobinantes olá. Beleza galera?! Confesso a vocês que desde que começaram a fazer essas releituras dos contos de fadas nessas versões mais sombrias, me apaixonei pelo gênero do qual nunca fui muito fã.

Se bem, que, se repararmos bem nessas histórias ditas “infantis” percebemos que na verdade elas não são tão infantis assim. Mortes, vingança, bruxaria, traição, inveja, é possível encontrar nessas histórias o mais sórdido dos sentimentos humano, claro, tudo bem colorido. Me aprofundando um pouco mais no assunto, cheguei até a professora Karin Volobuef, da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp em Araraquara, que é referência na pesquisa desse gênero literário no Brasil.

Karin Volobuef
Karin explica que as versões mais antigas desses clássicos infantis pouco podiam tranquilizar as crianças inquietas com a hora de dormir. “Claro que os contos apresentavam castelos, príncipes, princesas e fadas, pois estes elementos faziam parte do imaginário”, diz. Mas esses personagens viviam tramas entremeadas por vinganças, assassinatos, traições e até canibalismo e incesto. “Na forma mais antiga da história de Chapeuzinho Vermelho, ela era devorada pelo lobo. Não havia o final feliz gerado pelo caçador, conta Karin.

A pesquisadora tenta entender os motivos pelos quais o gênero, no passado, incorporava elementos tão violentos. Uma explicação possível é proposta pelo historiador americano Robert Darnton, que enxerga neles o reflexo das vidas dos camponeses medievais, marcadas pelo trabalho árduo, pela alimentação insuficiente e pela alta mortalidade, especialmente de mulheres durante o parto. Por isso o grande número de madrastas e o tratamento desigual e impiedoso que elas dispensam aos enteados, que não seria “invenção da carochinha, mas uma estratégia de sobrevivência para aumentar a chance de seus próprios filhos”, escreve Karin, numa das análises que produziu sobre o tema.

Outra característica interessante é que, nessas formas mais antigas das histórias, os protagonistas não são todos virtuosos. O Gato de Botas, por exemplo, mente e se apropria da riqueza alheia. O herói do conto O junípero vinga-se da madrasta, matando-a. E, pensando bem, muitos heróis e heroínas não podem ser tomados por modelos de virtudes por serem demasiado passivos e acomodados. O que fazem Bela Adormecida ou Chapeuzinho Vermelho para merecer um final feliz?

A versão da Disney

As versões mais conhecidas dos contos de fadas são as adaptações produzidas pelos estúdios Disney na primeira metade do século 20. O filtro da cultura americana preservou o caráter de aventura e as lindas histórias de amor, mas acrescentou um viés ideológico, aumentou a polarização entre o bem e o mal e limou a rebeldia: Cinderela espera pelo príncipe encantado, a Bela Adormecida dorme até que ele chegue e a salve da maldição. Por isso, Karin vê as princesas modernas e batalhadoras que estão surgindo no cinema como mais próximas das figuras femininas que povoavam as versões mais antigas dessas histórias.
Agora fica mas fácil entender o porque essas histórias infantis sempre me pareceram um tanto sombrias mesmo com todo seu colorido. E os mercados editorial e cinematográfico parecem estar apostando cada vez mais em recontar essas histórias infantis com foco no público adulto e eu estou adorando isso.  A releitura desses contos é a nova moda, isso é fato. Se ela substituiu a moda dos vampiros eu não sei, tampouco sei por qual será substituída. No entanto, eu defendo que ela deva ser preservada. Particularmente, eu acho a ideia das releituras genial. Pegar algo antigo e acrescentar uma nova roupagem, dando um novo olhar para o que já foi visto, porém mantendo o sentido original é fantástico e uma grande oportunidade para a nova geração conhecer grandes clássicos do passado com uma linguagem e roupagem mais moderna.

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E seguindo essa linha, uma das grandes produções desse gênero muito aguardada é a Pequena Sereia
A Pequena Sereia

Conto de fadas A Pequena Sereia voltará ao cinema em versão sombria.

Com a boa resposta de Piratas do Caribe 4 na bilheteria, alguém dentro da Sony Pictures deve ter resolvido que as sereias são a próxima moda. A Pequena Sereia, o clássico conto de fadas de Hans Christian Andersen, vai virar filme novamente.

O estúdio comprou os direitos de Mermaid: A Twist on the Classic Tale, livro de Carolyn Turgeon que dá um tom mais sombrio ao conto. Na trama, para salvar o seu reino, uma princesa enfrenta uma jornada perigosa para se casar com o príncipe do reino rival. Ela só não desconfia que uma bela sereia sacrificou tudo o que tem para ficar com o mesmo homem.

Shana Feste (Country Strong) escreve e dirige o filme. Tobey Maguire, que já trabalhou com Feste em Country Strong, produz o filme pela sua Material Pictures.

Veja também 

O lado negro dos contos de fadas que a Disney não contou 2° parte 


Fontes ( Omelete, Paprica e Unesp Ciência , imagem Darth Mouse Digital bus Stop)

24 Comentários:

Lu Cidreira rebobinou e disse...

Amigo, isso tudo nós tínhamos sempre em mete, uma dúvida de que nada seria um tanto infantil e ou bonzinho assim. Porém eu ainda curto muito os longas e curtas de desenho contos de fadas, me divirto muito, desde que acompanhava meus filhos quando pequenos.
Você realmente vai fundo nas pesquisas e busca dos assuntos que interessa o Rebobinando.
Ps.Agradeço também por não vim a se importar com a minha audácia de publicar seus dois posteres sobre o descobrimento do Brasil.

Abraço

Milene Lima rebobinou e disse...

Já viu falta de inocência maior do que "atirar o pau no gato"? Tadinho do bichano se nós tivéssemos levado ao pé da letra o que diz a cantiga.

Quero muito ver João e Maria, é uma das histórias de contos de fadas que eu mais gosto.

Que beleza de pesquisa.
Beijo!

Sérgio Santos rebobinou e disse...

Olha, Marcos, não sabia disso. Realmente via muita coisa sombria nas histórias da Disney, mas não sabia desses detalhes. A única coisa que sabia eram aquelas mensagens subliminares presentes em vários filmes e que foi muito divulgado na internet anos atrás. Abraços.

Jeniffer Yara rebobinou e disse...

Amo essa nova onda de adaptações nada clichês e delicadas dos contos que lemos quando crianças, já sabia de algumas versões originais desses contos, e as características no enredo e nos personagens nele não são mesmo nada infantis!
Gostei do post e do blog, muito bom!

Beijos
Meu outro lado

Sequelanet rebobinou e disse...

Muito interessante o post. Fiquei interessado em ver esse filme da sereia.

Abraços!
Seguindo aqui também.

Sissym rebobinou e disse...

Cara, eu me AMARROOOOO tambem!

Adoraria encenar uma personagem nestes moldes modernos! Adrenalina e imaginação!

Certa vez, o pai de minha filha comprou um livro para ela : Irmãos Grimm. Eu sentei-me à noite para contar uma historia... opa... esta não... pulei a pagina... parei para ler... e como ela achou que havia algo errado na minha leitura, comecei a mudar o rumo da historia escolhida! Eram medonhas!!! Fechei o livro e coloquei na estante. Então, por causa disso, passei a inventar as minhas continuações para alguns classicos. Pena que nunca escrevi o que imaginava. As minhas continuações, pode acreditar, eram muito boas!!! Prendiam a atenção dela e ainda pedia bis.

Beijos


Sissym rebobinou e disse...

Ops... esqueci de uma coisa, me inscrever para ler os novos comentarios... fuiiiiiii

Pecado Capital rebobinou e disse...

Oi Marcos.
Seu post tá genial.
Eu também estou gostando dessa repaginada nas historinhas infantis.
Nó s gostamos pq ouvimos quando crianças.
Acho que daqui uns anos eles terão de fazer isso com outras historias, quais serão?
O que estão contando agora para crianças?
Harry Potter?
Senhor doa Anéis?
Nárnia?
Eu não sei vc sabe?

Heitor Lima rebobinou e disse...

Eu também sempre via algo sombrio em todas as histórias e ficava com a pulga atrás da orelha por causa disso. Essas produções recentes são mesmo muito esclarecedoras e têm chegado a nós com muita qualidade. Gostei muito do seu post. Esse novo filme de João e Maria está empolgante >.<
Visita-me?
;D

Jacques rebobinou e disse...

Olá, Marcos.
Eu sempre me interessei pelas origens dos contos de fada que nada tem de infantis, e ao que parece, depois dos vampiros e zumbis, essa é uma nova moda pop.
Uma hq premiada que não se se já conheces e que é excelente é Fábulas, da Vertigo (é só procurar no Google que encontras escaneada para baixar), e a série Once Upon a Time, que eu ainda não vi, mas dizem que é excelente.
E uma outra versão da Pequena Sereia é o anime Ponyo, do grande Hayiao Myazaky que, apesar de meio infantil, é bem interessante.
Abraço, Marcos.

Marcos Mariano rebobinou e disse...

Olá Jacques, a HQ eu não conheço, mas a série Once Upon a Time, tenho ouvido falar muito bem dela, vou começar a acompanhar essa série, essa versão da Pequena Sereia que vc citou também não conhecia vou dar uma pesquisada.

Lu Cidreira

Milene Lima

Sérgio Santos

Jeniffer Yara

Sequelanet

Sissym

Helen
Eu também não sei Helen, mas se eles fizerem tão bom quanto esses que estão ai, será um prazer assistir.

Heitor Lima

A todos meu agradecimento por prestigiarem o Rebobinando.

Abraço a todos





Abraços


Anônimo rebobinou e disse...

Na minha opinião as histórias originais são bem mais interessantes, mas claro, walt disney como um visionário que é, percebeu que as histórias originais não venderiam tanto e tratou de modifica-las, o que deu muito certo. E essas releituras que estão fazendo para telona é outra sacada de gênio.

Muito bom seu blog.

Ass: R.B

Pecado Capital rebobinou e disse...

Oi Marcos, vim aqui te desejar um fim de semana bem levinho e cheio de surpresas boas.
Sucesso a vc.

Marcos Mariano rebobinou e disse...

Pecado Capital

Helen, obg pra vc também, bom fim de semana. Não sei por que mas não consigo acessar seu blog, queria retribuir mais seu blog parece que esta privado.

Abraços
----------------------
Olá R.B

Concordo contigo, o cara realmente foi um visionário em enchegar que tudo que é feito para as crianças vende mais, afinal é o money que interessa.

Abraços volte sempre

Flavio Ribeiro rebobinou e disse...

Olá Marcos,
Olha alguma coisa eu já sabia pois também sou historiador, outras confesso que não. A Disney nada mais fez, em minha opinião, do que adaptar contos populares para a nossa era. Uma época em que já consolidamos os direitos humanos, procuramos eliminar o trabalho escravo, tentamos desenvolver de maneira mais "amistosa" o despertar intelectual dos nossos filhos, etc.

Ainda na minha opinião, os contos originais tinham basicamente uma missão, ou seja, doutrinar os pequenos desde cedo a não saírem do trilho, a seguir rigorosamente as ordens dos pais e um bom exemplo disso é a história da chapeuzinho vermelho que ao cortar caminho pela floresta dançou.

De fato um assunto muito interessante!

Abraços, Flávio.
--> Blog Telinha Critica <--

Centelha Luminosa rebobinou e disse...

OLá Marcos, bom dia !!

Desde os meus trabalhos com crianças e adolescentes nas comunidades de baixa renda da minha cidade, que fazíamos re-leituras dos contos infantis citados em sua excelente crônica, buscando sempre identificar os aspectos menos felizes, quais os identificados pela Prof. Karin Volobuef. Não só das histórias, como também das musiquinhas ditas infantis, tais como "O Cravo e a Rosa", ( o cravo brigou com a rosa embaixo de uma sacada, o cravo saiu ferido e a rosa despedaçada) "O Boi da Cara Preta",( boi , boi , boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta).Percebe a violência e o preconceito?
Hoje em dia, quando se orienta as crianças no sentido de respeitar e amar a natureza e aos animais , percebemos a imensa incoerência dos contos infantis , tais como a do Chapéuzinho Vermelho, que fora colocada dentro do habitat do lobo, e este ainda sendo morto por caçadores...

Gostei demais de vir aqui, e refletir mais uma vez com suas crônicas muito bem escritas e sérias.
E, também pra agradecer a sua visita ao Sementes Preciosas, sempre esperada por mim.

Feliz final de semana, bjos da Lu...

Marcos Mariano rebobinou e disse...

Olá Flavio e Centelha Luminosa.

Seus comentários foram enriquecedores, e só acrescentaram a essa postagem e ampliaram ainda mais a minha visão com respeito ao tema aqui abordado.Obg por dividirem seus conhecimentos aqui.

Abraços

Mery rebobinou e disse...

Adorei!
e sempre achei meio mórbidas essas historinhas infantis de "antes,, que, no fundo, não passavam boas mensagens. Legal uma nova versão e que essa pesquisadora tenha sucesso.
Vou conferir!
beijo.

Angelus rebobinou e disse...

Oi Marcus, tudo bom?
Parando pra analizar e contextualizar os contos de fadas, percebemos detalhes e críticas veladas à vida do cotidiano. Os contos ganham um sabor a mais quando essas críticas são percebidas ou entendidas por quem vê ou lê.
Também curto essas releituras mais sombrias, resgatando a originalidade de antigamente.

Grande abraço. Bom fim de semana.

jaks rebobinou e disse...

Uma boa adaptação dos contos de fadas é
o seriado Once upon a time, onde a
Rainha Má lança umamaldição e todos os
personagens vieram parar aquino nosso
mundo mas sem saber quem realmente são.
Seriado dos mesmos produtores de Lost.
Recomendo.

Thalita xavier rebobinou e disse...

Parabéns, foi super necessário para o meu trabalho.

Marcos Mariano rebobinou e disse...

Vlw Thalita, eu que agradeço por prestigiar o Rebobinando, volte sempre

Celso Lungaretti rebobinou e disse...

Prezado Mariano,

tomei a liberdade de aproveitar seus excelentes posts no meu blogue, dando-lhe todo o crédito, claro: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2015/06/o-lado-negro-dos-contos-de-fada.html

Caiu como uma luva para dar sequência a uma abordagem que meu colaborador fez num texto de ontem.

Caso vc tiver algum interesse nos posts armazenados no meu blogue, eu também permito a livre reprodução, com a única exigência de citação da fonte. É mesmo o melhor critério na internet.

Um forte abraço e parabéns pelo seu trabalho!

Celso Lungaretti

Ana Paula Prado rebobinou e disse...

Gostei do conteúdo desse artigo, acho que tem um fundo de verdade sim, espero que gostem desse meu comentário.

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